Há filmes que usam o drama, a comédia, o suspense e a memória para investigar experiências como o luto, a dependência emocional, a violência e a busca por novos sentidos. A seleção a seguir reúne dez obras com personagens diante de mudanças decisivas, conflitos íntimos e acontecimentos que alteram sua maneira de enxergar a vida.
Recomeços depois da perda
O primeiro filme acompanha Dusty, interpretado por Josh O’Connor, depois que um incêndio florestal destrói tudo o que ele tinha. Instalado em um acampamento ligado à Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA (FEMA), ele encontra outras pessoas em situação semelhante, entre elas Mila (Kali Reis). Enquanto tenta reconstruir a própria vida, Dusty se reaproxima da filha, Callie-Rose (Lily LaTorre), com a ajuda da ex-namorada, Ruby (Meghann Fahy), e da mãe dela, Bess (Amy Madigan).
Escrito e dirigido por Max Walker-Silverman, o drama parte de um sonho destruído e atravessa diferentes formas de perda até chegar a um dilema paternal. A narrativa se apoia na introspecção do protagonista e na simplicidade de gestos e emoções.
Nostalgia e memória brasileira
O Último Episódio — disponível para aluguel em algumas plataformas — se passa em Laguna, bairro de Contagem, em Minas Gerais, no início da década de 1990. À beira de acontecimentos importantes, um jovem espalha a notícia de que tem o último episódio do seriado Caverna do Dragão. A afirmação o coloca diante de situações inesperadas.
A produção usa a nostalgia para retratar realidades de um Brasil que enfrenta dificuldades, mas preserva a capacidade de sonhar. A relação com o desenho anima a história e conduz uma reflexão sobre aquilo que aprendemos, o que causa dor e o que mantém vivo o desejo de imaginar outros caminhos.
Ditadura e desaparecimento
Atualmente em cartaz nos cinemas, Honestino combina documentário e ficção para abordar a história de Honestino Guimarães, pai e líder estudantil que desapareceu nas mãos dos militares. O filme é dirigido pelo cineasta amazonense Aurélio Michiles.
A obra introduz o período da ditadura militar por meio de poemas, depoimentos e imagens de arquivo. Em seguida, chega ao início da década de 1970, quando ocorreu o desaparecimento do líder estudantil, articulando memória e reconstrução histórica.
Relações, machismo e dependência
Disponível no Telecine, Os Sapos é uma adaptação da peça homônima escrita pela carioca Renata Mizrahi. O longa aborda dependências, relações e machismo, explorando também a ideia de engolir sapos diante de situações desagradáveis. A tragédia do comportamento humano e da moral se mistura à comédia.
A protagonista Paula (Thalita Carauta) chega a uma casa isolada no interior, pertencente ao amigo de infância Marcelo (Pierre Santos). Ao longo de um dia, ela conhece as histórias de dois casais e vivencia situações de assédio e machismo.
Oi, Sumido!, disponível na HBO MAX, acompanha Iris (Molly Gordon) e Isaac (Logan Lerman), que decidem passar um fim de semana em um lugar isolado durante os primeiros encontros. Quando percebe que ele não deseja um relacionamento mais sério, Iris reage de maneira imprevisível.
O que parecia ser uma história de amor se transforma em um suspense leve, centrado na instabilidade emocional da protagonista. A trama propõe uma reflexão sobre dependência emocional e comportamento humano.
Novas direções
Em Isso Ainda Está de Pé?, disponível no Disney Plus, Alex (Will Arnett) tenta se reerguer depois da separação de Tess (Laura Dern). Ele encontra no stand-up comedy uma forma de terapia, faz novas amizades e passa a falar sobre as tristezas provocadas pelo fim do relacionamento.
Dirigido por Bradley Cooper, que também participa do longa-metragem, o filme combina humor inteligente e crítica ao acompanhar a transformação do protagonista depois dos 40 anos. O roteiro é assinado por Will Arnett, Mark Chappell e Cooper, e se inspira na história de vida do comediante britânico John Bishop.
Violência e afeto
Disponível no Globoplay, Vítimas do Dia acompanha o motorista de aplicativo Elder (Amaury Lorenzo), que é atingido por uma bala perdida ao ir a um supermercado no subúrbio do Rio de Janeiro. Ele estava voltando para casa depois de trabalhar o dia todo e buscava um item desejado pela esposa, Daiane (Jéssica Ellen), que está grávida.
Durante o tiroteio, Elder aguarda atendimento com o apoio de frequentadores e funcionários do estabelecimento. Sem notícias do marido, Daiane entra em trabalho de parto e enfrenta dificuldades para sair de casa, enquanto a violência também alcança o lugar onde está. O drama observa o choque entre a expectativa de vida e a possibilidade da morte, atravessando ainda o amor, a compaixão e o afeto.
Rede Tóxica, disponível na HBO MAX, discute o impacto da internet no cotidiano. Daisy (Lili Reinhart), que sonha em se tornar enfermeira, trabalha em uma empresa de monitoramento de redes sociais. Sua função é assistir a vídeos denunciados e apagá-los quando necessário.
Depois de se deparar com um conteúdo que a deixa perplexa e indignada, Daisy decide procurar os envolvidos. Dirigido pela cineasta alemã Uta Briesewitz e escrito por Matthew Nemeth, o drama conduz a personagem por uma narrativa baseada nos detalhes e nas consequências de sua decisão.
O fim de um relacionamento
Querida Léa acompanha Jonas (Grégory Montel), que acorda de madrugada em uma festa de empresa e, pela manhã, encontra Léa (Anaïs Demoustier), sua paixão atual, uma cantora de ópera. O relacionamento está perto do fim, mas ele não aceita o rompimento.
Depois do encontro, Jonas vai a um café administrado por Mathieu (Grégory Gadebois), situado em frente à casa de Léa, e começa a escrever sobre o amor. Escrito e dirigido por Jérôme Bonnell, o filme se concentra em um homem de 40 e poucos anos durante um dia de desespero, angústia e autoconhecimento após o término de uma relação com uma mulher mais nova.
Desejo e desencanto
Em A Natureza do Amor, disponível na Reserva Imovision, Sofia (Magalie Lépine Blondeau) é uma professora na casa dos 40 anos que vive um relacionamento frio com Xavier (Francis-William Réaume). Ao conhecer Sylvian (Cardeal Pierre-Yves), responsável pela reforma de sua casa de campo, ela se envolve em uma paixão intensa.
Embora sejam completamente diferentes, Sofia e Sylvian passam a enfrentar incertezas. Exibido na Mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes, o filme de Monia Chokri parte do pessimismo sobre o sentimento amoroso e acompanha a transformação do desejo. Referências a Platão e Schopenhauer aparecem em uma jornada marcada pelo contraste entre êxtase e desconexão.


