SÃO PAULO — A 4ª edição da Mostra Amor ao Cinema será realizada entre os dias 9 e 26 de setembro, com sessões presenciais no CineSesc, localizado na Rua Augusta, e exibições online. A programação reúne 52 títulos distribuídos em duas seções: Filmes sobre Cinema e Filmes de Ruptura.
A primeira reúne obras que abordam os bastidores da produção audiovisual e a cultura cinematográfica. A segunda apresenta filmes que desafiaram convenções narrativas e estéticas de seu tempo. Entre os títulos selecionados, há produções de Sergei Eisenstein, Fritz Lang, Alfred Hitchcock, Mel Brooks, John Cassavetes, Niki De Saint Phalle, John Waters, John Carpenter, Kim Jee-woon e Guto Parente.
Clássicos e transgressões
O Encouraçado Potemkin (1925)
Dirigido por Sergei Eisenstein, o drama acompanha a tripulação do Potemkin, que se rebela contra o regime dos oficiais da embarcação. A manifestação que se segue, porém, transforma-se em um massacre policial. O filme colocou o cinema soviético em evidência e permanece associado aos clássicos que influenciaram diferentes gerações de cineastas.
Metrópolis
Fritz Lang dirige uma ficção científica ambientada em uma cidade dividida entre uma elite que desfruta dos prazeres da vida e trabalhadores confinados ao subterrâneo, responsáveis por manter a estrutura urbana em funcionamento. O surgimento de um romance proibido dá início a uma revolta que questiona a divisão social de Metrópolis. A obra é apresentada como uma das primeiras incursões do gênero e um dos marcos do expressionismo alemão.
Quando Fala o Coração (1945)
Na obra de Alfred Hitchcock, a psicóloga Dra. Constance Petersen trabalha em uma clínica para pessoas com transtornos mentais. A chegada de um novo diretor geral altera a rotina do local: além da jovialidade inesperada, ele apresenta um comportamento estranho. Constance descobre que o homem é um impostor que perdeu a memória e desconhece sua própria identidade e o destino do verdadeiro diretor.
Primavera para Hitler (1967)
Mel Brooks acompanha um produtor decadente da Broadway que busca financiar suas peças ao se relacionar com mulheres idosas. A entrada de um contador tímido em sua equipe revela uma possibilidade inesperada: um fracasso absoluto pode render mais dinheiro do que um sucesso. O filme integra a seção Filmes sobre Cinema.
Uma Mulher Sob Influência (1974)
O filme de John Cassavetes é centrado em Mabel, emocionalmente fragilizada e casada com Nick, um construtor civil sobrecarregado pelo trabalho. Enquanto tenta encontrar a felicidade, ela apresenta um comportamento instável. Nick passa a enxergá-la como um risco para a família e decide interná-la em um hospital psiquiátrico.
Obras de ruptura e cinema dentro do cinema
Um Sonho Mais Longo que a Noite (1976)
Segundo filme de Niki De Saint Phalle, a produção integra o eixo Filmes de Ruptura. O conto surrealista sobre inocência e experiência é construído com formas coloridas de fibra de vidro, dragões que cospem fogo e falos de gesso, compondo um universo onírico.
Polyester
John Waters apresenta a trajetória de uma dona de casa cujo cotidiano se desfaz gradualmente. Em meio a uma crise familiar, ela tenta preservar o desejo de uma vida ideal ao se envolver com um homem aparentemente perfeito. A obra se relaciona à identidade construída pelo diretor a partir da subversão cômica, do exagero estético e do trash.
Eles Vivem (1988)
John Carpenter acompanha um andarilho da classe trabalhadora que chega a Los Angeles e descobre que a classe dominante é formada por alienígenas camuflados. A revelação o conduz a uma missão para expor essas criaturas. Baseado no conto “Eight O’Clock in the Morning”, de Ray Nelson, o filme passou a ser associado à cultura pop e ao conceito de arte urbana.
Na Teia da Aranha (2023)
Kim Jee-woon acompanha um diretor que, depois do prestígio alcançado com seu primeiro filme, passa a ser atacado pela crítica, que o considera apenas um realizador de dramas trash. Após concluir seu novo longa, ele tem sonhos vívidos nos quais acredita que deve regravar a produção com um final alternativo. A tentativa de transformar o filme em uma obra-prima o leva a ampliar as filmagens e a mergulhar em uma situação cada vez mais caótica.
Morte e Vida Madalena (2025)
Dirigido por Guto Parente, o longa acompanha Madalena, produtora de cinema grávida de oito meses, que se prepara para rodar um filme de ficção científica B escrito por seu pai recém-falecido. Quando Davi, diretor da produção e ex-marido de Madalena, desaparece do set, ela precisa concluir o trabalho antes do nascimento do bebê.


