Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ciência

Superdotação vai além do QI e pode assumir diferentes formas

A compreensão das altas habilidades deixou de se concentrar na genialidade e na inteligência medida por testes.

Superdotação vai além do QI e pode assumir diferentes formas
Foto: DeAgostini/Getty Images

A superdotação não se resume ao desempenho escolar nem a uma pontuação de QI. A compreensão contemporânea sobre altas habilidades reconhece que elas podem aparecer de diferentes maneiras e coexistir com dificuldades. Essa mudança alterou também a forma de lidar com crianças e adolescentes que demonstram capacidades muito acima da média.

Durante muito tempo, talentos excepcionais foram interpretados por meio de explicações incomuns. Na Antiguidade, essas pessoas podiam despertar admiração, estranhamento ou estigma, sendo vistas como tocadas pelos deuses ou marcadas por uma natureza diferente. Mais tarde, a figura do gênio passou a organizar esse imaginário.

Mozart tornou-se um dos exemplos mais conhecidos dessa associação. Ainda menino, apresentava capacidade musical extraordinária, compunha e se apresentava diante das cortes europeias. Sua trajetória ajudou a consolidar a imagem da superdotação como uma forma de genialidade quase inexplicável.

Da genialidade ao desenvolvimento

A psicologia começou a estudar essas habilidades de maneira mais sistemática sobretudo a partir do século XIX. No século XX, os testes de inteligência reforçaram, durante algum tempo, a noção de que a superdotação poderia ser avaliada principalmente pelo QI. A perspectiva atual é mais ampla: altas habilidades não garantem sucesso escolar e não significam ausência de obstáculos.

O reconhecimento adequado envolve identificar essas pessoas e compreender como apoiá-las até a vida adulta, sem paternalismo. Olimpíadas escolares de matemática, física e biologia, entre outras áreas, vêm se popularizando nas escolas brasileiras e contribuem para uma percepção mais equilibrada sobre estudantes de alto desempenho.

A dimensão desse tema também aparece em estudos conduzidos por economistas das universidades Stanford e Munique. Esses trabalhos indicam que elevar em 10 pontos percentuais a proporção de estudantes de alto desempenho cognitivo pode acelerar em 1,3 ponto percentual o crescimento anual do PIB per capita.

A inteligência continua alimentando uma pergunta presente na história da humanidade: por que algumas pessoas vão tão longe e outras não? Nomes como Einstein e Bill Gates demonstraram cedo rapidez e habilidade, mas isso não os transformou em super-homens. A valorização do talento, portanto, precisa conviver com o reconhecimento das diferenças e da humanidade de cada indivíduo.

O tema foi publicado em 4 de setembro de 2026, na edição nº 3011.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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