Uberlândia, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Europa debate autonomia e competitividade na nova economia espacial

Cúpula promovida por Emmanuel Macron reúne países e empresas diante da pressão de Estados Unidos e China sobre o setor espacial europeu.

Europa debate autonomia e competitividade na nova economia espacial
Foto: Ludovic Marin/AFP

A Europa tenta preservar seu espaço na economia espacial enquanto enfrenta a concorrência de Estados Unidos e China, além de divergências internas sobre investimentos, lançadores e autonomia estratégica. O debate ocorre durante uma cúpula de dois dias promovida pelo presidente francês, Emmanuel Macron, no Grand Palais, sob uma estrutura de vidro que também deverá receber negociações comerciais do setor. Cerca de 120 países foram convidados, com exceção de Rússia, Irã e Coreia do Norte.

A economia espacial mundial superou US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,54 tri) em 2025 e pode atingir US$ 1,1 trilhão (ou R$ 5,5 tri) até 2035, de acordo com estudo da consultoria PwC divulgado na terça-feira (8). O crescimento é associado às comunicações por satélite, à navegação, à observação da Terra, aos serviços de lançamento e às atividades ligadas à Lua.

Pressão geopolítica e voos tripulados

Para Mathieu Luinaud, especialista da PwC, a Europa dispõe de engenheiros aeroespaciais e profissionais em diferentes áreas do setor. A consultoria Deloitte, porém, adverte que o continente pode perder terreno sem encomendas públicas asseguradas e maior coordenação entre os investimentos nacionais.

Luinaud afirmou que a cúpula busca reforçar a posição europeia diante dos dois principais polos atuais. O astronauta francês Thomas Pesquet, embaixador do encontro, criticou os efeitos da instabilidade geopolítica sobre uma atividade que exige cooperação.

A ausência da SpaceX, de Elon Musk, e da Blue Origin, fundada por Jeff Bezos, impede uma discussão completa sobre o uso compartilhado de frequências. As empresas americanas desistiram de participar em meio a rumores de pressão da Casa Branca. O afastamento dos Estados Unidos de alguns programas conjuntos também ampliou, entre os europeus, o questionamento sobre a dependência de Washington e sobre o papel do continente na exploração lunar.

Josef Aschbacher, diretor da Agência Espacial Europeia (ESA), defende que a Europa retome a ambição de realizar voos tripulados, com custo considerado razoável. A ArianeGroup informou que o foguete pesado Ariane 6 pode ser adaptado para essa finalidade.

Lançadores reutilizáveis e disputa interna

A defasagem europeia é mais evidente nos foguetes reutilizáveis. Donald Trump estabeleceu a meta americana de mil lançamentos por ano até 2030. A Europa realiza dezenas de lançamentos e pode enfrentar falta de lançadores no mesmo período, segundo o diretor da ESA.

Em agosto, a chinesa LandSpace recuperou o primeiro estágio do Zhuque-3, foguete pesado comparável ao Falcon 9, da SpaceX. Nenhum foguete reutilizável europeu foi testado até agora. A MaiaSpace, subsidiária da ArianeGroup, prevê o primeiro teste de voo para o segundo semestre de 2027. A empresa já garantiu cinco contratos para 12 lançamentos.

A Isar Aerospace, da Alemanha, colocou recentemente um foguete em órbita a partir da Noruega, em um marco para um lançador privado desenvolvido na Europa continental.

A ausência do chanceler Friedrich Merz ocorre em meio ao agravamento das diferenças entre França e Alemanha. Paris defende preferência por soluções europeias, enquanto Berlim se mostra mais aberta aos lançadores da SpaceX. Para Philippe Baptiste, ministro francês responsável pelo Espaço, empresas privadas europeias podem fortalecer a autonomia do continente.

Satélites e defesa

As constelações de satélites ganharam importância nas operações militares por causa da integração dos sistemas de combate, da multiplicação de sensores e da robotização dos campos de batalha. Na guerra da Ucrânia, a Starlink tornou-se referência para as comunicações entre centros de comando e controle. Em 2025, restrições ao acesso russo à rede em determinadas operações dificultaram a comunicação e a coordenação das forças no terreno.

As Forças Armadas francesas usam a Starlink para internet de alta velocidade em exercícios e treinamentos. Em operações reais, recorrem à rede segura da Eutelsat OneWeb. A Rússia anunciou a constelação Rassvet, enquanto a China planeja lançar cerca de 13 mil satélites para atender às necessidades de seu Exército de Libertação Popular.

A Europa aposta na constelação Iris, prevista para entrar em operação em 2030. O projeto terá 264 satélites em órbita baixa e outros 18 em órbita média da Terra, com a promessa de ampliar a autonomia estratégica e a soberania europeias nas comunicações e na defesa.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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