Um e-mail analisado pela Polícia Federal registra uma reserva feita para Flávio Bolsonaro em um jatinho operado pela Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro entre os sócios. A viagem prevista partiria de Brasília com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e incluiria o candidato, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, as filhas do casal, Willer Tomaz e familiares do advogado.
A mensagem foi extraída do celular de Willer, alvo de busca e apreensão em uma operação que investiga supostas fraudes do INSS. Enviada pela Prime You, trazia o assunto “Confirmação de voo” e informações sobre uma viagem agendada para o dia seguinte ao recebimento do e-mail.
A aeronave indicada era um Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR. O mesmo avião foi usado por Flávio em uma viagem entre Fort Lauderdale, na Flórida, e Brasília. Na ocasião, o senador afirmou que, segundo as informações que tinha, a aeronave pertencia a Willer e que não sabia da participação societária na Prime You.
Registros não confirmam o voo reservado
A Polícia Federal concluiu que o deslocamento entre Brasília e São Paulo não ocorreu conforme as condições registradas na reserva. Dados migratórios mostram que Willer entrou no Brasil às 22h13, vindo da Cidade do Panamá, a bordo de outra aeronave privada. Flávio entrou no país às 00h43 do dia seguinte, também procedente da capital panamenha, mas em um voo comercial.
Registros de plataformas de monitoramento do tráfego aéreo indicam que o Legacy 650 permaneceu em Brasília em 14 de janeiro e seguiu para Miami dois dias depois.
Questionado sobre a reserva, Flávio não se manifestou. Em declaração anterior sobre a viagem à Flórida, disse: “Para mim, o avião era do Willer.” O candidato também afirmou que não teve contato com Vorcaro e que qualquer interpretação diferente seria uma distorção da realidade.
Willer, por sua vez, já havia negado conhecer Vorcaro ou ter mantido negócios com ele. O advogado afirmou que o banqueiro não pagou, não cedeu, não autorizou nem participou da viagem à Flórida, direta ou indiretamente. Procurado sobre a nova reserva, não se manifestou.
Participação na aeronave
Vorcaro foi sócio da Prime You, empresa de táxi aéreo, até setembro de 2025. A companhia havia firmado, em dezembro de 2022, contrato com a Fraction 024 para operar e administrar o jatinho por dez anos. Documentos em posse da PF indicam que uma empresa de Vorcaro detinha 33% da Fraction 024, sociedade anônima sem proprietários revelados.
A empresa também aparece em documentos relacionados ao escritório Barci de Moraes. Em maio de 2025, a Viking Participações, de Vorcaro, firmou contrato de serviços advocatícios de até R$ 50 milhões com o escritório. Um acordo posterior previa quitar R$ 40 milhões por meio da transferência de participações em empresas ligadas a aeronaves. A fatia de 33,33% da Fraction 024 estava incluída no arranjo, assim como 20% de uma empresa ligada a um helicóptero. O escritório afirma que não adquiriu as cotas previstas.



