Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Brasil

PF aponta articulação para contratar influenciadores em defesa do Banco Master

Documentos indicam que agência buscou perfis de direita após mapear redes de Flávio Bolsonaro; 22 contas fizeram postagens semelhantes sobre o caso.

Agência encontrou nas redes de Flávio influenciador para defender o Master
Foto: Daniel Ramalho/AFP;Divulgação

Documentos da investigação da Polícia Federal indicam que uma agência monitorou as redes sociais de Flávio Bolsonaro para localizar influenciadores de direita que pudessem defender o Banco Master. A estratégia pretendia questionar a liquidação da instituição pelo Banco Central e sustentar a intervenção do Tribunal de Contas da União no caso.

A abordagem aparece em mensagens registradas em ata notarial e no depoimento de Rony de Assis Gabriel, vereador de Erechim (RS), candidato a deputado federal pelo Podemos e influenciador de direita. A empresa identificada no acordo de confidencialidade enviado ao assessor do vereador foi a UNLTD Network Brazil Ltda. O documento chamou a iniciativa de Projeto DV, e o contato foi feito por André Silva Salvador, que assinou o acordo em nome da agência.

Em 20 de dezembro de 2025, Salvador afirmou que havia encontrado o perfil de Rony durante o monitoramento das redes de Flávio Bolsonaro. Na sequência, apresentou a proposta como um trabalho de gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo. Segundo a conversa registrada em cartório, disse ainda: “Temos contratado os perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política que estamos travando contra o sistema”.

Rony relatou à PF que Salvador revelou, durante uma reunião, que o cliente seria Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O assessor do vereador assinou o acordo de confidencialidade, mas Rony afirmou ter recusado a proposta antes de discutir remuneração ou firmar contrato de prestação de serviços.

O vereador disse que Salvador mencionou verbalmente uma verba capaz de resultar em remuneração milionária, embora nenhum valor tenha sido negociado. O acordo previa multa de R$ 800 mil. Rony afirmou ter mais de dois milhões de seguidores no Instagram e aproximadamente 100 milhões de visualizações mensais em conteúdos políticos. Segundo ele, sua presença frequente nas redes de Flávio pode ter contribuído para que fosse localizado.

Outros contatos e modelos de publicação

Na reunião, a agência mostrou conteúdos de Paulo Cardoso, do Cardoso Mundo, Marcelo Rennó, André Janeiro Dias, Carol Dias e da página Alfinetei como referências para o trabalho. Rony afirmou que havia um roteiro, mas que cada influenciador poderia adaptá-lo ao próprio estilo. Ele procurou as autoridades depois de tomar conhecimento de movimentações no TCU relacionadas ao caso.

A jornalista e influenciadora Juliana Moreira Leite também contou à PF ter recebido uma proposta de contrato com duração de três meses. O contato foi feito por Júnior Favoreto, pelo Instagram e pelo WhatsApp. Segundo Juliana, o interlocutor disse que ela poderia definir o próprio preço, mencionou a necessidade de um acordo de confidencialidade e enviou um conteúdo que questionava a liquidação do Banco Master.

Quando a jornalista perguntou quem seria o cliente e qual seria o conteúdo, Favoreto encaminhou uma publicação que colocava em dúvida a correção da decisão do Banco Central. Depois, pediu o media kit e os valores cobrados por ela. Juliana respondeu que não estava disponível para publicar material sobre o Master. A conversa terminou sem que o intermediário confirmasse expressamente quem havia feito a proposta, razão pela qual ela disse à PF não poder atribuí-la a uma pessoa ou empresa específica.

Juliana relatou ainda ter observado outros influenciadores de direita divulgando conteúdos semelhantes no mesmo período.

Levantamento da Polícia Federal

Um relatório da PF identificou 22 perfis no Instagram com publicações próximas no tempo e questionamentos semelhantes sobre a atuação do Banco Central no caso Master. Entre as contas estão Alfinetada, Carol Dias, Diferentona, Focalizando Notícias, Fofocas, Fofoquei, Futrikei, Garoto do Blog, Queirônica, Rainha Matos, Tuitteiros, Vem Me Buscar Hebe e Wes Gossip. Também aparecem Alfinetei, Alfinetada Online, André Janeiro Dias, Bomba dos Artistas, Exclusivas da Fama, Luiz Bacci, Marcelo Rennó e Paulo Cardoso.

A PF associou oito desses perfis à Deubuzz: Exclusivas da Fama, Rainha Matos, Fofocas, Fofoquei, Wes Gossip, Vem Me Buscar Hebe, Tuitteiros e Diferentona. Outros quatro foram relacionados ao Grupo Farol: Futrikei, Tricotei, Alfinetada e Diferentona. Esta última conta foi vinculada aos dois grupos.

O levantamento registra a proximidade temporal e a semelhança entre as publicações, mas não demonstra que todos os perfis tenham sido procurados, contratados ou remunerados por uma agência.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.