GUARAPUAVA — Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estudam a fauna e a flora dos Campos de Guarapuava, no Paraná. Iniciada em 2025, a pesquisa busca compreender as características e a resiliência dos remanescentes de campo nativo, também conhecidos como estepe.
Coordenado pelos professores Juliano Cordeiro e Christopher Thomas Blum, da UFPR, e José Eduardo Lahóz da Silva Ribeiro, da UEL, o projeto está vinculado ao Departamento de Ciências Agronômicas e Ciências Florestais. Os trabalhos contam com o apoio dos herbários FUEL, da UEL, e Escola de Florestas Curitiba (EFC-UFPR).
Remanescentes entre áreas agrícolas
Levantamento do IBGE indica que os Campos de Guarapuava já ocuparam 4.130 km² do município. A expansão da agricultura e das pastagens reduziu essa formação a pequenos fragmentos, concentrados sobretudo em zonas úmidas, canais de drenagem e afloramentos rochosos basálticos.
A vegetação se desenvolveu sobre rochas e áreas úmidas, em condições consideradas extremas. Para José Eduardo Lahóz da Silva Ribeiro, as plantas que crescem nos afloramentos basálticos apresentam características específicas para lidar com a escassez de solo. “A flora em afloramentos rochosos basálticos no Paraná apresenta adaptações morfológicas e fisiológicas singulares”, afirmou o professor.
As expedições realizadas entre 2025 e 2026 se concentraram nas chamadas ilhas de pedra situadas entre Guarapuava e Candói. No campo, pesquisadores e alunos fizeram coletas, levantamentos populacionais, medições, quadriculamento de áreas e monitoramentos fenológicos, voltados ao acompanhamento do ciclo de vida das plantas em seus habitats originais.
Espécies raras
Entre os resultados estão registros de Zephyranthes paranaensis, da família Amaryllidaceae, e Mimosa hatschbachii, da família Fabaceae. A equipe também encontrou Eryngium corallinum, da família Apiaceae, uma erva perene existente apenas nessa região e classificada como criticamente ameaçada de extinção.
Para Juliano Cordeiro, a proteção dos fragmentos é necessária porque eles abrigam espécies ameaçadas e contribuem para o equilíbrio ambiental local. “Os estudos nos revelam que eles são verdadeiros santuários ecológicos”, disse o professor.


