BARCARENA — Uma fotografia feita em um porto de Barcarena, no nordeste do Pará, mobilizou uma rede de apoio para Esther Sofia, de 4 anos, que está em tratamento contra a leucemia. Na imagem, a menina aparece ao lado do pai, Paulo Robson Vasconcelos Pereira, depois de uma viagem entre Barcarena e Belém.
O registro foi feito pelo mototaxista Nelildo Keybe. Ele já conhecia a história da menina e, ao perceber o cansaço dos dois, enviou a fotografia a amigos de um projeto social ligado ao grupo Som Automotivo de Barcarena. A ideia inicial era divulgar um bingo beneficente para ajudar no tratamento, mas a imagem começou a circular pelas redes sociais e alcançou pessoas de diferentes lugares.
Naquele dia, Paulo não tinha dinheiro suficiente para voltar para casa. A filha havia dito que estava com fome e queria retornar. Faltavam R$ 7 para completar o valor da viagem. A repercussão levou à realização de campanhas, a uma vaquinha e a doações diretas para a família.
“Foi se espalhando, se espalhando e ganhou uma proporção que a gente nunca imaginava”, disse Nelildo. Para ele, a fotografia registrou o cansaço, a fome da menina e a situação física e emocional enfrentada pelos dois.
O diagnóstico e a rotina de viagens
A mudança na saúde de Esther começou há cerca de três meses, quando ela reclamou de dores na barriga. Paulo percebeu uma mancha roxa no corpo da filha e a levou para atendimento médico. Exames apontaram alterações no sangue, e os profissionais levantaram a suspeita de leucemia.
Esther foi transferida para outro hospital, recebeu transfusão de sangue e depois foi encaminhada para atendimento especializado. A confirmação do diagnóstico abalou o pai, que afirmou ter dificuldade para acreditar na doença porque a filha era uma criança saudável e brincalhona.
Desde o início do tratamento, pai e filha precisam sair de casa, seguir de carro por aplicativo até o porto, atravessar de lancha até Belém e usar outro transporte até a unidade de saúde. O percurso pode ser feito duas, três ou até quatro vezes por semana. Eles passam o dia no hospital e, em algumas ocasiões, Esther precisa ficar internada.
A menina gosta de brincar de boneca e fazer pulseiras, mas diz que prefere permanecer em casa. A mãe morreu de câncer quando Esther ainda era pequena. Na época, Paulo trabalhava no Pará, enquanto a família morava em Brasília. Depois da morte da esposa, ele ficou responsável pela criação da filha. Mais tarde, conheceu a atual mulher, que hoje divide com ele os cuidados com a menina.
Trabalho interrompido e ajuda da comunidade
Antes do diagnóstico, Paulo trabalhava em regime de turnos. Com as internações e a necessidade de acompanhar a filha, deixou o emprego. Passou a se dividir entre os cuidados com Esther, as viagens para o tratamento e o suporte à esposa durante os períodos de internação.
Sem renda fixa, a família recebeu ajuda de vizinhos e de moradores da comunidade São Francisco, em Barcarena. As contribuições incluíram R$ 10, R$ 20 e R$ 50. Depois que a fotografia se espalhou, o celular de Paulo passou a receber centenas de mensagens. Ele afirma que não tem redes sociais e ainda não conseguiu responder a todos.
Os recursos arrecadados devem ser usados nas despesas do tratamento e na adaptação da casa. Esther ainda não tem um quarto próprio. A família recebeu móveis e planeja reformar um espaço para a menina, organizando um ambiente mais confortável.
Segundo Paulo, o tratamento pode durar entre dois e três anos. Enquanto enfrenta os custos das viagens e das necessidades do dia a dia, ele diz que continuará acompanhando a filha em todas as etapas.


