BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta terça-feira (19/5) que se encontrou com Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro, ocorrida em novembro de 2025. Segundo o parlamentar, a conversa tratou do financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, e ocorreu quando Vorcaro usava monitoramento eletrônico e estava impedido de sair de São Paulo.
Flávio afirmou que foi ao encontro para encerrar a negociação. “Se ele tivesse me dito que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo”, disse o senador a jornalistas na saída de uma reunião com a bancada do PL.
Vorcaro foi detido pela Polícia Federal no dia 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero. Investigado por crimes contra o sistema financeiro nacional, ele deixou a prisão em 28 de novembro, após uma decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
O banqueiro voltou a ser preso em 4 de março, em uma nova etapa da operação. Desde então, passou por diferentes presídios e foi transferido para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília. Ele negocia um possível acordo de colaboração premiada.
A negociação para o filme
A relação entre Flávio e Vorcaro se tornou pública depois da divulgação de um áudio em que o senador pede informações sobre repasses destinados à produção de Dark Horse. O projeto teria previsão de receber US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na época. Entre fevereiro e maio de 2025, R$ 61 milhões teriam sido liberados.
Em uma mensagem enviada um dia antes da primeira prisão de Vorcaro, Flávio chamou o banqueiro de “irmã” e escreveu: “Estou e estarei contigo sempre”. Inicialmente, o senador negou a existência do contato. Depois da divulgação do áudio, admitiu a negociação e afirmou que não houve irregularidade nem oferecimento de vantagens em troca do financiamento.
Em nota, Flávio disse que buscava patrocínio privado para um filme sobre o próprio pai, sem uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet. Também afirmou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando não havia acusações ou suspeitas públicas contra o banqueiro, e que retomou o contato diante do atraso nas parcelas necessárias para concluir a produção.
O senador declarou ainda que não intermediou negócios com o governo, não promoveu encontros privados fora da agenda e não recebeu dinheiro ou qualquer vantagem. Ele defendeu a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Declarações sobre o caso Master
Antes da confirmação do encontro, Flávio havia associado as investigações sobre Vorcaro e o Banco Master ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Em publicações nas redes sociais, sustentou que o caso deveria ser investigado por uma CPI e negou conexões entre o banqueiro e sua família ou grupos de direita.
Após a divulgação do áudio, o senador afirmou que eventuais novos contatos não trariam informações diferentes sobre o filme. A revelação também foi seguida por mudanças nas declarações de Eduardo Bolsonaro sobre sua participação financeira no projeto.
Eduardo havia negado envolvimento na gestão financeira da produção, mas depois admitiu ter assinado um contrato com a produtora para garantir a participação de um diretor de Hollywood. Ele afirmou ter usado recursos próprios e disse ter enviado R$ 350 mil, convertidos em cerca de US$ 50 mil, aos Estados Unidos para assegurar o contrato.
Na terça-feira (19/5), uma pesquisa do instituto Atlas Intel apontou queda nas intenções de voto de Flávio. No primeiro turno, o senador passou de 39,7% para 34,3%. Luiz Inácio Lula da Silva oscilou 0,4 ponto percentual para cima.
Na simulação de segundo turno, Flávio caiu de 47,8% para 41,8%, enquanto Lula apareceu com 48,9%. O levantamento também colocou Lula à frente no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro. Romeu Zema e Renan Santos apareciam em uma disputa pela terceira colocação.



