Três datas de setembro organizam uma agenda nacional de reflexão sobre a segurança nos deslocamentos: a Semana Nacional de Trânsito, o Dia Mundial sem Carro e o Dia Nacional do Trânsito. Embora tenham enfoques distintos, as mobilizações convergem para uma questão que permanece durante todo o ano: criar condições para que pedestres, ciclistas, motociclistas, passageiros e motoristas compartilhem as vias com menos riscos.
Entre 18 e 25 de setembro, a Semana Nacional de Trânsito reúne ações de educação, engenharia e fiscalização em todo o país. No dia 22, o Dia Mundial sem Carro propõe a discussão sobre alternativas para os deslocamentos urbanos. Já em 25 de setembro, o Dia Nacional do Trânsito encerra o período reforçando a responsabilidade do poder público, das empresas e da sociedade na construção de uma mobilidade mais segura.
Em 2026, as campanhas educativas nacionais mantêm a mensagem “Desacelere. Seu bem maior é a vida.” A formulação foi mantida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para consolidar ações de redução da velocidade e estimular mudanças de comportamento.
Velocidade e risco nas rodovias
A escolha coloca a velocidade no centro da discussão. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que o excesso de velocidade foi a infração mais registrada nas rodovias federais brasileiras em 2025. Foram 7.237.407 autuações, o maior número desde o início da série histórica. No mesmo período, as BRs registraram 72.483 sinistros, 83.483 pessoas feridas e 6.044 mortes.
Para Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito da Perkons, a velocidade interfere diretamente na capacidade de reação dos motoristas e nas consequências de uma colisão. “Quanto maior a velocidade, menor é a margem para corrigir um erro e maiores podem ser as consequências”, afirma.
A gestão da velocidade também se relaciona à proteção de quem está fora dos automóveis. Pedestres, ciclistas e motociclistas não contam com a mesma estrutura física de um carro e, por isso, estão mais expostos. Calçadas acessíveis, travessias seguras, ciclovias e ciclofaixas conectadas, transporte coletivo eficiente, áreas de velocidade reduzida e vias planejadas integram uma mesma política de segurança viária.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende sistemas de mobilidade multimodais, que apoiem a mobilidade ativa e o transporte público, além dos veículos privados. Para que caminhar, pedalar ou usar o transporte coletivo sejam alternativas reais, é necessário que o ambiente ofereça condições de segurança.
Educação, engenharia, fiscalização e tecnologia atuam de forma complementar. Informações sobre circulação, controle de velocidade, gestão semafórica e identificação de pontos críticos podem orientar intervenções e tornar os deslocamentos mais seguros. Nesse modelo, a fiscalização não se limita ao registro de infrações: quando aplicada em locais estudados, pode induzir comportamentos mais seguros e adequar a velocidade ao ambiente.
O objetivo é permitir a convivência entre diferentes formas de deslocamento, sem colocar automóveis, bicicletas, transporte coletivo e pedestres em lados opostos. As datas de setembro concentram a atenção sobre o tema, mas a tarefa de preservar vidas permanece ao longo de todo o ano.


