A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido classificado como de direita radical, alcançou sua maior votação em uma eleição estadual alemã. Projeções divulgadas neste domingo, 6, indicam cerca de 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, no leste do país — mais que o dobro do resultado obtido pela União Democrata-Cristã (CDU), ligada ao chanceler Friedrich Merz.
Com o desempenho, a AfD deve formar a maior bancada do Parlamento estadual, mas não terá votos suficientes para governar sozinha. A legenda deve conquistar 39 das 42 cadeiras necessárias para alcançar a maioria.
Resistência a uma coalizão
Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD, afirmou que o resultado representa um “mandato para governar”. Em declaração à emissora pública ARD, disse: “Fizemos história, precisamos deixar isso bem claro”. Alice Weidel, copresidente nacional da legenda, também afirmou que o partido recebeu um mandato claro e indicou disposição para negociar com outras siglas.
A formação de um governo, contudo, esbarra na oposição dos demais partidos. A CDU descartou um acordo com a AfD, enquanto A Esquerda (Die Linke) declarou que não fará aliança com a legenda. A política conhecida como Brandmauer continua impedindo alianças formais com a direita radical.
Siegmund afirmou que a AfD não pretende abandonar suas posições centrais para chegar ao poder. Entre as propostas do partido estão restrições à imigração, medidas mais duras na área de segurança e uma reaproximação com a Rússia.
O resultado aumenta a pressão sobre o governo de Friedrich Merz e pode ampliar o espaço político da AfD na disputa federal de 2029. Lars Klingbeil, líder do SPD e vice-chanceler, classificou a votação como “um sinal para Berlim”.
A AfD pode comandar, pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, um governo estadual na Alemanha, com influência direta sobre áreas como segurança pública, educação e cultura. A unidade do partido em Saxônia-Anhalt é classificada como extrema-direita pelo serviço de inteligência estadual, avaliação rejeitada pela legenda.


