Domingo, 6 de setembro de 2026
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Cofre no Ártico preserva sementes para a agricultura do futuro

Coleções mantidas em Svalbard protegem variedades agrícolas contra guerras, desastres e mudanças nas condições de cultivo.

Cofre no Ártico preserva sementes para a agricultura do futuro
Foto: Michael Major/Crop Trust/Wikimedia Commons

Milhares de quilômetros distante do Brasil, uma instalação construída dentro de uma montanha no Ártico guarda cópias de sementes mantidas por bancos genéticos de diferentes regiões do mundo. O Cofre Global de Sementes de Svalbard, na Noruega, funciona como uma reserva de segurança para variedades agrícolas que podem desaparecer de suas coleções de origem.

Arroz, milho, trigo, feijão e outros cultivos fazem parte do acervo. Algumas variedades quase não são mais plantadas, mas ainda podem carregar características importantes para a agricultura. Em um cenário de secas, temperaturas mais altas, novas doenças ou outras condições ambientais, essas sementes podem oferecer alternativas para o desenvolvimento de plantas adaptadas.

“Se elas não forem cultivadas, mais cedo ou mais tarde vão desaparecer”, afirma Fuad Gaši, coordenador do Banco Global de Sementes de Svalbard.

Uma reserva contra perdas

O cofre não substitui os bancos genéticos nacionais e internacionais. Ele recebe duplicatas das coleções, que permanecem sob responsabilidade das instituições depositantes. Em caso de guerra, incêndio, terremoto, furacão ou outra emergência, o material pode ser recuperado.

A função já foi necessária no caso de uma coleção mantida pelo Centro Internacional de Pesquisa Agrícola em Áreas Secas (Icarda), na Síria. Com o conflito, pesquisadores deixaram o banco genético que funcionava no país. Como parte das sementes havia sido enviada previamente para Svalbard, elas puderam ser retiradas e utilizadas na reconstrução das coleções em instalações no Líbano e no Marrocos.

Sarada Krishnan, diretora de programas do Crop Trust, organização que participa da operação do cofre, explica que cada país mantém seus próprios bancos genéticos. As sementes enviadas ao Ártico continuam pertencendo às instituições que fizeram os depósitos. Apenas a instituição responsável pode solicitar o retorno do material armazenado.

A participação brasileira

O Brasil integra essa rede por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), empresa pública federal de pesquisa ligada ao Ministério da Agricultura. A instituição mantém bancos genéticos em diferentes unidades e um acervo nacional em Brasília. Parte das coleções é duplicada e encaminhada para Svalbard.

Este ano, o cofre norueguês reúne pelo menos 8.149 amostras brasileiras, principalmente de arroz, milho e feijão. Também estão representados soja, trigo, caju, fava, amendoim, mamona e gergelim.

O material pode ser empregado tanto na proteção contra perdas quanto em pesquisas agrícolas. Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, cita o trabalho relacionado à vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá. Diante do avanço da doença, pesquisadores recorreram a variedades conservadas nos bancos genéticos para investigar materiais mais resistentes.

Para Massruhá, a preservação também está ligada à segurança alimentar do Brasil e de outros países. Características presentes nas sementes armazenadas podem contribuir para o desenvolvimento de plantas mais tolerantes à seca, ao calor, ao frio e a novas doenças.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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